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Quando um dia eu morrer

  • Foto do escritor: Filipa Barbosa
    Filipa Barbosa
  • 19 de fev.
  • 2 min de leitura

Podem trazer flores

Mas lembrem-se que eu matava sempre as minhas plantas, nunca sabia se lhes dava água a mais ou a menos, falava com elas como a minha avó me ensinou, mas elas nunca duravam muito tempo em minha casa.


Quando um dia eu morrer podem queimar todos os meus cadernos , se ninguém tiver intenção de os ler

Prefiro que os queimem ao invés de ganharem pó e mais pó, num lugar qualquer,

abandonados num canto frio de uma arrecadação .


Quando um dia eu morrer não preciso que chorem, mas eu aposto que chorarei baba e ranho se vos vir a chorar, a sério , sabem que não consigo ver ninguém em prantos , que me desfaço em lágrimas, o nariz arrefece , o queixo estremece  e as lágrimas caem sem pedir licença, mesmo que não tenha rímel à prova de água.


Quando um dia eu morrer, não deixarei fortuna, mas deixarei o meu maior tesouro, 3 filhos que amo e juro-vos que só não queria morrer por isso, para estar sempre com eles , mas jamais suportaria vê-los partir , isso sim seria a morte.


Quando um dia eu morrer, pff preciso pedir-vos que ponham música a tocar, que façam uma playlist com as minhas músicas preferidas, para que quando eu partir a música que sempre me acompanhou me guie o caminho.


Quando um dia eu morrer podem escrever um texto e lê-lo , sabem como adoro letras e como adoraria ouvir-vos a ler.


Quando um dia eu morrer abracem-se todos pff , todos juntos num só abraço , por mim, pelo amor que sempre gostei de ter por perto , olhem-se nos olhos e mesmo que chorem, sorriam uns para os outros, eu estarei entre vós.


Quando um dia eu morrer , irei ter com todos os que amei e foram antes de mim e irei esperar o tempo que for preciso por vós, não tenham pressa, lá em cima não há relógio, só amor.


Quando um dia eu morrer , recitem um poema para vós , à noite em casa, quando estiverem sozinhos, pode ser daqueles bem pequeninos, eu ouvirei.


Quando um dia eu morrer , eu saberei que vivi, que amei, que venci.


Por isso, quando um dia eu morrer, não tenham raiva ou pena da vida, sintam apenas amor, aquele que hoje transborda o meu coração.


Quando um dia eu morrer aqui está o meu testamento , que não o escrevo em lamento

mas com a mais pura intenção

De dizer o que vai cá dentro ,

De expor o meu coração.


Quando um dia eu morrer, não será o fim de mim

Eu viverei sempre na rima de uma canção.

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