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Quando um dia eu morrer
Podem trazer flores Mas lembrem-se que eu matava sempre as minhas plantas, nunca sabia se lhes dava água a mais ou a menos, falava com elas como a minha avó me ensinou, mas elas nunca duravam muito tempo em minha casa. Quando um dia eu morrer podem queimar todos os meus cadernos , se ninguém tiver intenção de os ler Prefiro que os queimem ao invés de ganharem pó e mais pó, num lugar qualquer, abandonados num canto frio de uma arrecadação . Quando um dia eu morrer não preciso
Filipa Barbosa
19 de fev.2 min de leitura


Saudades da vossa infância
O mês passado escrevi um poema dedicado às minhas filhas, um texto que relatava a saudade de quando eram crianças, de quando os domingos eram sinónimo de passar o dia de pijama ou de brincadeiras no parque. Hoje senti que queria partilhar aqui convosco. Talvez também já tenhas sentido a solidão de ver os filhos crescer, eu sei que faz parte, eu sei que é suposto, no entanto eu também sei que aquilo que sentimos dentro de nós é importante. Ei-lo : Éramos ainda todas meio cria
Filipa Barbosa
2 de jan.2 min de leitura


Uma página em branco
Há 15 dias que não escrevo livremente, que não me sento à secretária, abro o computador e simplesmente deixo fluir o que mora cá dentro. Faz-me falta e no entanto também sei que preciso destas pausas, destes momentos de limbo em que as dúvidas chegam e eu me disponho a ouvir, a sentir e a desbloquear pensamentos, crenças antigas ou apenas um coração que nem sempre sabe o caminho, mas que não deixa de caminhar. Mudo o cabelo, o corpo, as unhas, mudo tudo, faço resset de quem s
Filipa Barbosa
há 4 dias1 min de leitura


Dia dos namorados
Tenho saudades do que ainda não vivemos, saudades das tardes passadas no alpendre sentados em cadeiras de palha, eu com um livro na mão e tu com o teu café. Tenho saudades das manhãs em que me acordarás com beijos e abraços e não será preciso ir a correr para lado nenhum. Há dias em que sinto saudades dos passeios que daremos à beira mar enquanto o sol se põe, de mãos dadas e enterrando os pés na areia à medida que a água não nos refresca apenas, mas também nos liberta. Sinto
Filipa Barbosa
14 de fev.1 min de leitura


Tempestade
A chuva bate na janela , recolho-me entre mantas Não tenho medo da chuva, tenho medo de tempestades. Daquelas que remexem tudo, que provocam o caos e partem Daquelas tempestades que são dentro de casa É dessas que tenho medo. Chegam e arrastam, não sei de mim, não sei de nada. Ando sobre os destroços a tentar apanhar todos os cacos Todos os pedaços do meu coração, do que restou de nós. Talvez o vento te tenha levado para tão longe que não nos cruzaremos mais, talvez a chuva t
Filipa Barbosa
11 de fev.1 min de leitura


Estou de volta ?
Algo aqui mudou. Não sei o que se passou. Concordei em discordar de mim. Impossível concordar sempre comigo. A minha mente diverge. O meu coração refila, debate-se. O sofá é íman para as minhas tardes de melancolia E a Carolina é mel para esses dias Senti-a a entrar na sala e fingi que não reparei Era a outra parte de mim, a que não tem andado por aqui Sinto que voltou , mas diferente. Transformei cada poema, quadra, verso ou palavra. Acordo e adormeço Faço de mim um recomeç
Filipa Barbosa
29 de jan.1 min de leitura


Poema sem título
Eu sou letras , eu sou mulher, Eu sou aquilo que quero ser. Não peço permissão para brilhar porque eu já sou luz. Sou poesia numa voz baixinha e sou caminho em dias de solidão . E sempre que chorei baixinho, abracei o meu coração. Não sou o que me aconteceu nem nunca serei, sou o despertar mais duro e mais bonito que eu mesma criei. E o mais brilhante disto tudo É que tu também podes ser Basta viveres em sintonia Com aquilo que te faz crescer . As letras são o meu caminho E
Filipa Barbosa
20 de jan.1 min de leitura


Como nasce um livro ? I
Quando me perguntam, ou quando eu mesma o faço, a verdadeira razão de publicar os meus livros, há um silêncio que cai, uma introspecção profunda da verdadeira razão, da verdadeira essência, do quando e do porquê que tudo isto começou. O meu primeiro livro, A minha avó é do mar, nasceu da vontade de imortalizar a minha avó , foi como se ao escrever, fosse possível guardar num potezinho, pedaços da nossa história, memórias que não se apagariam com o tempo, como se fosse possíve
Filipa Barbosa
19 de jan.2 min de leitura


Solidão ou encontro ?
E não creio que exista algum mal em querer realmente estar só, não é ser só, é em alguns momentos estar só comigo, enfrentar os meus silêncios, as minhas palavras, os meus receios e medos, sem ninguém ao meu redor, é numa multidão de pessoas, encontrar a minha individualidade e finalmente descobrir quem sou.
Filipa Barbosa
14 de jan.2 min de leitura


Encontro em silêncio
Para celebrar os meus 40 anos eu decidi que o meu dia perfeito seria com pessoas, livros, palavras, abraços e sentimentos. E no sábado aconteceu, a visualização tornou-se matéria e eu estava ali numa sala cheia de livros, com pessoas sentadas à minha frente, que vieram única e exclusivamente para ouvir as palavras que eu tinha para dizer. Desta vez escrevi, escrevi o que queria dizer, para que nenhuma palavra ficasse por dizer, atropelada pelas batidas aceleradas do meu coraç
Filipa Barbosa
12 de jan.1 min de leitura


Este ano não me pede que seja outra, pede-me que seja mais eu.
Primeiro dia do ano, um misto de sentimentos, assustador ou não, um novo ano começa e isso não tem de ser necessariamente um recomeço, pode ser só um continuar. Habitualmente associamos um novo ano a uma infinidade de recomeços, de sonhos , de novos projetos, como se janeiro fosse uma espécie de motor de arranque para nos dar a energia que precisamos para realizar todos os sonhos escondidos na gaveta da sala, adormecidos por um ano extenuante e sem tempo, ou por dois, ou por
Filipa Barbosa
1 de jan.2 min de leitura
A mente mente-nos
A mente mente-nos Ela chega de mansinho e diz-nos ao ouvido que não vamos conseguir, que não será fácil, que o melhor é desistir. Numa voz melosa, que entra pelas nossas entranhas e nos faz recuar, temer, duvidar de nós mesmas. Olhamos para o lado e incentivamos a amiga, o primo até o piriquito , dizemos que são capazes, que vão conseguir e quando chega a nossa vez , ouvimos vozes dentro de nós que nos fazem derrapar na imaginação mais fértil e infeliz que conhecemos. Como ul
Filipa Barbosa
28 de dez. de 20251 min de leitura


O silêncio dá cabo de mim. Eu tenho voz.
Era domingo e eu preparava-me para apresentar o meu mais recente livro, as pessoas já sentadas nas suas cadeiras, olhavam na minha direção e eu perguntava-me o que será que esperariam de mim. A primeira dinâmica tinha sido lançada : escrever pensamentos, frases ou palavras soltas, algo que durante a apresentação fizesse eco dentro de nós. E eu escrevi isto : O silêncio dá cabo de mim. Eu tenho voz. Durante muitos anos eu preferi o silêncio, pois em alguma fase da minha vida e
Filipa Barbosa
27 de dez. de 20252 min de leitura
Pensamentos matinais
Nós não nascemos só para pagar contas e morrer e todos os avós deviam ser eternos. Foram os pensamentos que hoje de manhã quebraram a minha linha de raciocínio e invadiram os meus pensamentos. Recuso-me a acreditar que a vida é só trabalhar, pagar contas e morrer no final, não faz qualquer lógica ou sentido a vida é tão mais quando nós dispomos a ver, a sentir e a falar ou a escrever sobre isso. E todos os avós deviam ser eternos porque todo o amor que sinto pelos meus, ocupa
Filipa Barbosa
12 de dez. de 20252 min de leitura
Café frio
O café já arrefece se não o bebo segundos após o ter tirado, o tempo já pede recolhimento, mantas fofinhas e meias antiderrapantes pela casa. O meu coração pede lar. Na minha infância e adolescência sempre preferi o inverno, identificava-me com ele, a chuva era terapia, lembro-me de uma vez ser chamada ao conselho executivo da escola, porque andei a correr , a dançar e a pular à chuva . Eu e mais algumas amigas , o que os funcionários não perceberam, nem a diretora, foi que n
Filipa Barbosa
15 de nov. de 20251 min de leitura
Encontrei a cura nas palavras e a mim também
Domingo é a apresentação do meu mais recente livro e confesso que o coração bate um bocadinho mais rápido do que habitual , que me esforço para praticar respirações mais conscientes e encontrar dentro de mim as razões para estar neste caminho. A razão é simples, eu acredito no amor, na cura, no perdão , na leveza de uma vida que desistiu de viver a correr e começou a olhar à sua volta, a dar importância aos cheiros, aos sons, aos silêncios , aos abraços demorados e aos beijo
Filipa Barbosa
14 de nov. de 20253 min de leitura
Reconstrução de casal
O amor é transformador , ele une , ele expande , ele liberta. Ele não aprisiona , ele devolve a liberdade , ele regenera , ele preenche. Mas ele também precisa de ser alimentado, não vive do passado ou do que virá a ser, vive do presente, do agora , do neste exato momento , andamos desligados , ausentes, o amor estava lá, mas nós não estivemos para ele. Foi intenso, desconcertante , um dia olhei e já não sabia quem ele era, e era nele que eu sempre me encontrava. E a pior au
Filipa Barbosa
7 de nov. de 20251 min de leitura
A vida é uma merda
Sim eu sei parece um título bem dramático. A vida é uma sucessão de merdas que nos acontecem e que temos de saber lidar , saber estar , saber o que fazer a seguir. Que merda é esta que às vezes nos desorienta, fazemos questões como : quem sou eu ou o que faço aqui ? E sempre que nos deparamos com merda dessas , com algo que parece grande demais para nós , temos dois caminhos possíveis, ficar lá , ali naquele cantinho escuro onde o cheiro é nauseabundo mas parece fazer sentido
Filipa Barbosa
2 de nov. de 20252 min de leitura
O milagre de continuar
No fundo é isso que me salva : o milagre suave de continuar
Filipa Barbosa
21 de out. de 20252 min de leitura
É preciso deixar morrer
Sinto que uma parte de mim morreu hoje Não sei dizer o motivo, explicar a razão. Não estou triste . Não me falta nada . Sinto que algo se foi para ganhar espaço para algo entrar. Consigo sentir o meu peito a abrir , a crescer. Uma sensação estranha , como que o começo de algo que ainda não vivi, uma entrega de luz quando nem eu sabia que precisava. Um caminhar passo ante passo , uma passada confiante , pesada , de orgulho de tranquilidade, de amor. Incrível como aceitar que n
Filipa Barbosa
16 de out. de 20252 min de leitura
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