Saudades da vossa infância
- Filipa Barbosa
- 2 de jan.
- 2 min de leitura
O mês passado escrevi um poema dedicado às minhas filhas, um texto que relatava a saudade de quando eram crianças, de quando os domingos eram sinónimo de passar o dia de pijama ou de brincadeiras no parque.
Hoje senti que queria partilhar aqui convosco.
Talvez também já tenhas sentido a solidão de ver os filhos crescer, eu sei que faz parte, eu sei que é suposto, no entanto eu também sei que aquilo que sentimos dentro de nós é importante.
Ei-lo :
Éramos ainda todas meio crianças , sem tantas perdas ou mudanças .
Uma criança cantava, outra sorria
O Tim ainda usava cabelo a tijela
A tilda com aquele cabelo dela
E a Marta sempre agarrada à tia.
Ver os filhos crescer, tenho-vos a dizer , que não é tarefa fácil
A casa fica mais vazia
E o silêncio passa a existir
também de dia.
A mais velha pouco a encontro
A do meio vive aterafada
Resta-me o puto que joga, come e não faz mais nada.
Até as discussões entre irmãos
Viraram um acenar de mãos ,
De um adeus na entrada.
Sou tão feliz por ve-las crescer
Sou tão orgulhosa dos seus caminhos
Mas começa a dar aquele aperto
De já não as ter sempre por perto
Do casal estar mais sozinho.
Nunca pensei sentir saudades
Da casa toda desarrumada
De brinquedos e microfones no chão
Agora que já não piso lego
Sinto um aperto no ego
Porque já não precisam tanto da minha mão.
Sim eu sei que é normal
Só estou armada em sentimental
E quis deixar este alerta
Quem tem filhos pequenos
Ame mais , ralhe menos
Qualquer dia “olás” viram acenos
Tens de estar mais desperta.
Ver uma filha trajada
A outra pasteleira
Um puto que ainda não quer nada
E eu que só quero ser a mãe conselheira.
Não lhes querer passar os meus medos
Mesmo que tema em segredo
Aquilo que virá
Respeitar 1 filho nem sempre é fácil
Porque não é sobre nós é sobre eles
Não são toda a gente são aqueles
Que mais amamos no mundo.
Queremos proteger
Mas isso não é dizer :
Que não vai correr bem.
Proteger é dizer
Que se alguma coisa acontecer
Eu continuo na sala , no sofá
Na entrada ou no quarto
Eu serei sempre a mãe , aquela que os ama , um refúgio quentinho
Um grito alto na hora do parto.
Só me resta dizer
enquanto eu cá estiver ,
Eu serei sempre lar
E se um dia forem mães
Sei que saberão também
Aquilo que vos digo.
E não me interpretem mal
Ser vossa mãe é bestial
Só tenho saudades
Do karaoke ao domingo.
Amo-vos 🤍



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