Tempestade
- Filipa Barbosa
- 11 de fev.
- 1 min de leitura
A chuva bate na janela , recolho-me entre mantas
Não tenho medo da chuva, tenho medo de tempestades.
Daquelas que remexem tudo, que provocam o caos e partem
Daquelas tempestades que são dentro de casa
É dessas que tenho medo.
Chegam e arrastam, não sei de mim, não sei de nada.
Ando sobre os destroços a tentar apanhar todos os cacos
Todos os pedaços do meu coração, do que restou de nós.
Talvez o vento te tenha levado para tão longe que não nos cruzaremos mais, talvez a chuva tenha inundado o nosso coração de amargura e não nos beijaremos mais.
Tenho medo de tempestades, dessas que acontecem cá dentro.
Ainda a semana passada planeávamos uma vida, ainda ontem me dizias o quanto me amavas e do nada um vendaval,
Já não há planos, não há beijos, não há nada afinal.
Tenho medo de tempestades, dessas que acontecem cá dentro.
Decretei calamidade ao meu coração,
Espero que em breve cheguem as equipas de resgate
Que tragam uma lancha , pois há um diluvio cá dentro.
Será que alguém vai ajudar-me a tirar os troncos do chão
Ou vou ter de apanhar tudo sozinha ?
Quem me dera ter uma grua
Para conseguir por o meu coração ao alto
E não me afogar mais.
Tenho medo de tempestades, dessas que acontecem cá dentro.


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