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Este ano não me pede que seja outra, pede-me que seja mais eu.

  • Foto do escritor: Filipa Barbosa
    Filipa Barbosa
  • 1 de jan.
  • 2 min de leitura

Primeiro dia do ano, um misto de sentimentos, assustador ou não, um novo ano começa e isso não tem de ser necessariamente um recomeço, pode ser só um continuar.


Habitualmente associamos um novo ano a uma infinidade de recomeços, de sonhos , de novos projetos, como se janeiro fosse uma espécie de motor de arranque para nos dar a energia que precisamos para realizar todos os sonhos escondidos na gaveta da sala, adormecidos por um ano extenuante e sem tempo, ou por dois, ou por três.

Só que nos esquecemos que se janeiro é o motor, ele nunca será sustentável sem combustível, então a beleza do novo ano e dessa infinidade de sonhos de recomeços termina, quando deixamos de alimentar a esperança de que é possível, de quando passamos do : "este ano é que é " para o "não tenho tempo".


O que me leva a questionar : Quanto tempo temos afinal ?


Questiono-me também, se sou assim tão invulgar por não querer recomeçar nada este ano e sentir que continuar também é um acto de coragem, sentir que quero continuar a ser exatamente como sou, ou melhor, a entender cada vez melhor quem sou, e a regressar cada vez mais a mim mesma.


A questao do , quanto tempo temos, surge , de tudo parecer ter um prazo de validade e na mesma medida tantos de nós, tantas e tantas vezes acabarmos o dia a dizer " não tenho tempo", "não tive tempo" . Afinal quando é que foi que nos roubaram esse bem tão precioso que antes tudo parecia ter tempo de sobra e agora deixamos de ter tempo para ler, para ouvir música, para estar com os amigos, para conversar, para escrever e sobretudo , para pensar. Reagimos a impulsos, a notificações, a whatsaaps cheios de mensagens por ler, ou de emails na caixa de spam que nem sabemos porque raio os subscrevemos.

Passamos a ser a sociedade dos " sem tempo para nada " .


Então este ano, eu não quero recomeçar nada, eu quero voltar lá atrás, voltar a mim, voltar a fazer coisas que amo, a estar com pessoas que amo, a ter tempo para pensar, para escrever e para amar.


O que me leva a pensar que recomeçar pode ser apenas mais inteira, que não precisas de mil projetos novos e podes simplesmente ir à gaveta da sala e retirar de lá o teu projeto mais antigo, aquele que fazia os teus olhos brilharem e o teu coração expandir.


Nem todo o janeiro pede pressa, pode simplesmente pedir presença, porque acredito que há tanta coisa em nós que está simplesmente à nossa espera, à espera que finalmente tenhamos o tempo de olhar para lá.


Então que o ano novo comece com espaço para nós e não com exigências.


Que encontremos o tempo que perdemos dentro de nós, pois acredito que é aí que ele vive.


Feliz ano novo


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