O silêncio dá cabo de mim. Eu tenho voz.
- Filipa Barbosa
- 27 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Era domingo e eu preparava-me para apresentar o meu mais recente livro, as pessoas já sentadas nas suas cadeiras, olhavam na minha direção e eu perguntava-me o que será que esperariam de mim.
A primeira dinâmica tinha sido lançada : escrever pensamentos, frases ou palavras soltas, algo que durante a apresentação fizesse eco dentro de nós.
E eu escrevi isto : O silêncio dá cabo de mim. Eu tenho voz.
Durante muitos anos eu preferi o silêncio, pois em alguma fase da minha vida eu senti que seria a maneira mais segura de sobreviver.
Não dizia o que sentia, o que pensava, o que doía ou porque chorava.
O silêncio tornou-se parte integrante do meu ser.
E se por um lado ele me protegia ( pensava eu) , aos poucos foi também a minha maior prisão .
Ele fazia barulho e eu reprimia, era mais forte do que eu, de tanto calar a minha voz, fiquei sem ela.
Há gritos mudos silenciados por medos, por inseguranças, por uma sociedade incorreta ou por um pai opressor, que precisam de ser ouvidos, precisam de alguém que os grite e que mostre a todos aqueles que ainda não têm voz, que é possível gritar.
Então talvez a minha história não seja apenas sobre livros, sobre escrita, mas sobretudo sobre superação, sobre conquistar algo que julgamos muitas vezes perdida, a nossa voz.
Talvez eu tenha aparecido na tua vida porque em algum instante sentiste que a tua voz não era suficiente, as tuas palavras não tinham valor e os teus sentimentos eram disformes . Então, eu apareci para validar essa solidão acompanhada, que tantas vezes sentiste, para te dizer que sim , é possível ganhar voz aos 30, aos 40 , ou quando tu quiseres, que a vida não é só sobre vitórias, mas sim sobre tudo o que o percurso te ensinou.
Eu tenho voz.
E tu ?



Comentários