Solidão ou encontro ?
- Filipa Barbosa
- 14 de jan.
- 2 min de leitura
O ano passado fui pela primeira vez a um concerto sozinha, este ano fui assistir a um jogo de futebol também sozinha e neste momento estou num Starbucks, em Belém, com o meu pistácio latte, o meu bagel de salmão e o meu computador, sentada numa mesa de um canto desta grande sala, ao meu lado tenho um grupo de jovens, não oiço o que dizem porque tenho fones. Sempre achei muito fixe sabem ? Vir para um café trabalhar, escrever, só a pessoa, as teclas e o mundo em redor que desaparece, não estás em casa, não estas rodeada de pessoas , estás na verdade a criar algo e as pessoas ao teu redor não fazem a mínima ideia do que será, como se fosse uma realidade paralela, as vidas cruzam-se sem se cruzarem.
Pode parecer ridículo para quem lê, o que vou escrever agora, no entanto vem da maior verdade possível... Eu há algum tempo sonhei ser esta pessoa.
A pessoa que vai a lugares sozinha, que enfrenta o desconhecido, que não teme o que não conhece e mesmo que tema, vai, não deixa de fazer ou de estar. Sonhei também em ter tempo para vir para fora de casa escrever, criar, olhar para outras pessoas, que me inspiram sem saberem e estar aqui. Eu já sonhei ser isto.
Não consigo chamar solidão, quando há coisas que realmente fazem sentido serem a sós.
E não creio que exista algum mal em querer realmente estar só, não é ser só, é em alguns momentos estar só comigo, enfrentar os meus silêncios, as minhas palavras, os meus receios e medos, sem ninguém ao meu redor, é numa multidão de pessoas, encontrar a minha individualidade e finalmente descobrir quem sou.
Ser quem somos pode ser solidão, mas o que é realmente a solidão se conseguirmos ir de encontro ao centro de nós, a quem somos , ao que realmente viemos ser neste mundo e no mundo de tanta gente. Acredito que só nos conhecemos realmente , quando nos desafiamos a ficar connosco, a ouvir o nosso ego, o nosso medo, o nosso coração, o nosso cérebro e retirar de cada um o que realmente importa, o que nos move e o que nos impulsiona para alcançar os desejos mais escondidos e privados que temos.
Se soubermos quem somos e nos acompanharmos, nunca mais seremos sós.
Posto isto, nasce em mim uma vontade de ir ao cinema sozinha também e acho que é isso mesmo que vou fazer.
Solidão é estar só no meio de uma multidão de pessoas, encontro é estar só por opção e gostar da nossa própria companhia.
Quando te encontras, deixas de te sentir só.
Incrivelmente tudo começa e termina em ti.
Com amor
Filipa



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